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A grande "coqueluche" da Suíça, nos tempos que decorrem, é a cafetaria, seja no balcão, na mesa ou na esplanada. É dela que provém a maior fatia das receitas da casa, que adaptou, sempre, a sua oferta à procura dos clientes. "Tivemos de dar o braço ao restaurante porque a pastelaria está em desuso", diz-nos Fausto Roxo, o gerente, recordando os tempos não muito remotos dos anos 50 e 60 em que a pastelaria era, ainda, a "rainha".
No entanto, em franca actividade, mantém-se a secção de pastelaria, com fabrico próprio, dotada de modernas máquinas, cuja manutenção é também assegurada pela oficina particular do estabelecimento. Entre os espécimens de pastelaria, o destaque vai para o pastel de nata, o bolo-rei e o croissant francês, que, curiosamente, foi introduzido em Portugal pela própria Suíça, e que é o bolo mais vendido. Assinale-se que, na época áurea da pastelaria, o pasteleiro Hipólito, da casa, ganhou o campeonato nacional de mestres-pasteleiros e, depois, foi representar Portugal em Itália no concurso de mestres.
Como lugar privilegiado de encontro, e empregando hoje cerca de 80 trabalhadores, a história da "Casa Suissa Lda", para utilizar a sua denominação de origem, é fértil em figuras públicas - portuguesas e estrangeiras - que ali acorreram, muitas delas para tomar o famoso chocolate da casa, como ceia. O almirante Gago Cominho, Bissaia Barreto, a companhia da Amélia Rey Colaço, depois do espectáculo, e Artur Ferrão são alguns desses nomes, que, com a sua presença, mais ou menos habitual, enriqueceram a história da Suíça. Mas há mais: a própria Maria Callas, quando actuou no S. Carlos, Edward Kennedy, Café Filho e Orson Welles, quando vieram a Lisboa, também ali estiveram. Como tertúlia, sublinhe-se a dos sociais-democratas do grupo de Rodrigues dos Santos e a do polemista Artur Cunha Leal, que discutiam as coisas da política entre um café e um croissant, tendo como pano de fundo a reprodução fraccionada dos quadros da Josefa de Óbidos, que estão no Museu de Arte Antiga, e que constitui a peça decorativa mais valiosa do interior da Pastelaria.
A Suíça vive essencialmente do turismo. Sessenta por cento dos seus clientes são turistas, diz-nos Fausto Roxo, que recorda, com um certo orgulho, uma carta que, em 1956, um casal holandês lhe enviou do Algarve, depois de ter estado no estabelecimento: "LeTurisme au Portugal, c'estvous..." A casa goza de boa saúde financeira - clientes não faltam - mas, em 1952, conheceu a sua grande crise, felizmente sanada, pelo facto de, devido ao trânsito automóvel, que aumentou bastante nessa altura, terem reduzido o passeio do Rossio e tirado a esplanada à Suíça. Oito ou nove meses sem esplanada lançaram a casa numa profunda crise mas, com o regresso daquela, tudo se resolveu a contento. As coisas foram mesmo dramáticas, chegando a admitir-se a hipótese de despedimentos. Com o turismo, a partir de 1956, a Suíça cresceu, ao mesmo tempo que se democratizava e popularizava, designadamente a partir de 62/63, pois até aqui fora sempre uma casa elitista, com o pessoal de "smoking"...